sexta-feira, 2 de setembro de 2011

“SNOOPY E SUA TURMA” DE CHARLES SCHULZ, da coleção L&PM Pocket.


 
Às vezes a gente se sente tão cansado de leituras científicas, de jornais, revistas e da própria realidade que nos cerca que nada melhor do que deixar tudo de lado e começar a ler alguma revistinha em quadrinhos, tirinhas ou mesmo assistir a algum desenho na TV...rsss
Por isso, resolvi deixar aqui algumas tirinhas da tira mais popular do mundo dos quadrinhos: Peanuts. “Publicada pela primeira vez em 1950, traz como personagem principal Charlie Brown, um menino inteligente e um tanto melancólico, cujo sonho é organizar um time de beisebol; ele é o dono de Snoopy, um cão da raça beagle cheio de imaginação. Lucy, Linus, Sally, Schroeder, Patty Pimentinha, Marcie e o passarinho Woodstock completam a cativante turma. As tiras de Charles M. Schulz foram publicadas diária e ininterruptamente por quase 50 anos – o que nunca aconteceu com nenhuma outra HQ – e chegaram a figurar em 2,6 mil jornais, atingindo um público de 355 milhões de leitores em 75 países e 40 línguas.”


Não sei se meus amigos nascidos nos anos 90 conhecem as histórias do Snoopy, mas sei que os meus amigos mais velhinhos com certeza conhecem e assim como eu adoram ou adoravam...rsss

Um dia desses, enquanto mainha fazia a feira no supermercado, eu caminhava pela seção dos livros, quando me deparei com o livrinho de tiras “Snoopy e sua turma”, e comecei a ler ali mesmo, em seguida, levando-o para casa.

Meus personagens preferidos da tira são o Snoopy, um cachorrinho beagle, escritor de muita imaginação, que adora comer chocolates (inclusive já quis ter um cachorrinho beagle por causa do Snoopy...rsss) e Linus, um menininho que tem uma relação de dependência com seu cobertor de estimação, do qual não se separa de jeito nenhum.




Uma das tirinhas que mais gosto é a de Snoopy em cima da sua casinha, escrevendo histórias em sua máquina de datilografia.















DE AMOR E AMIZADE crônicas para jovens (Clarice Lispector)

Em uma das minhas visitas ao site da Livraria Saraiva, me deparei com o livro “De amor e amizade” crônicas para jovens de Clarice Lispector. Estas crônicas foram escritas no período em que a autora colaborou com o Jornal do Brasil, entre agosto de 1967 e dezembro de 1974. O livro me chamou atenção por dois motivos: 1º Por ter sido escrito por uma autora com quem me identifico muito, principalmente por seus textos marcados por suas inquietações diante da vida. Inclusive, na crônica inicial deste livro, “amor imorredouro”, a autora descreve exatamente o temor que senti ao ter a ideia de criar um blog “escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro a gente se expõe muito.”; 2º Pelo título do livro: De amor e amizade, dois tipos de relação tão presentes no nosso dia a dia. Não resisti, comprei!
Com a chegada do livro, iniciei a leitura, não pela sequência das páginas, mas a partir dos títulos que mais me chamavam atenção, entre as 44 crônicas que compõem o livro. As primeiras escolhidas foram: Ao que leva o amor, Por não estarem distraídos, Desencontro, Sem aviso, Uma história de tanto amor, Nossa truculência, Tanto esforço, Saudade.
O livro de Clarice, apesar de ser intitulado “crônicas para jovens”, o que pode nos levar a acreditar que é composto por crônicas leves, apresenta textos bastante profundos, envolvendo a temática das relações de amor e amizade, que às vezes chegam a doer no nosso coraçãozinho...rssss
Deixarei aqui no blog algumas citações das crônicas que mais gostei.





AMOR IMORREDOURO
“...mas escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro, a gente se expõe muito.”p.15
DESENCONTRO
“Eu te dou pão e preferes ouro. Eu te dou ouro mas tua fome legítima é de pão.” p.51
SEM AVISO
“E quando nos álbuns de adolescentes eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou no perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso – já atordoada eu sentia – isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta.”p.68
UMA HISTÓRIA DE TANTO AMOR
“A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas...”p.70
AMOR
“nunca foi fácil ser julgado pela fila humana que exige mais e mais...”p.79
“Mas você esmaga uma rosa se apertá-la com carinho demais.”p.79
O GRITO
“Amar nunca impediu que por dentro eu chorasse lágrimas de sangue.”p.107
“O mundo falhou para mim, eu falhei para o mundo. Portanto, não quero mais amar.”p.107
“Voltando ao meu cansaço, estou cansada de tanta gente me achar simpática. Quero os que me acham antipática porque com esses eu tenho afinidade: tenho profunda antipatia por mim.”p.107
“Há um limite de ser. Já cheguei a esse limite.”p.107
DIES IRAE
“Nada do que eu já fiz me agrada. E o que fiz com amor estraçalhou-se.”p.124

LIVRO: A TROCA (LYGIA BOJUNGA NUNES)

LIVRO: A TROCA DE LYGIA BOJUNGA NUNES









“Prá mim, livro é vida; desde muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé fazia parede; deitado, fazia degrau de escada;
inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro prá brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar prás paredes).
Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça.
Mas fui pegando intimidade com as palavras.
E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas.
Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia;
e de barriga assim cheia me levava prá morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu,
era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que
- no meu jeito de ver as coisas -
é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
Mas como a gente tem mania de sempre querer mais,
eu cismei de um dia alargar a troca: comecei a fabricar tijolo prá - em algum lugar -
uma criança juntar com outros e levantar a casa onde ela vai morar.”



Nada melhor para inaugurar um blog que se dispõe a registrar impressões de leitura, escrito por alguém que nutre paixão pelos livros, do que o poema “Livro: a troca” de Lygia Bojunga Nunes.
Gosto muito deste texto, pois reflete minha relação de amor e carinho com os livros, bem como de muitas outras pessoas, que desde a infância encontram abrigo, refúgio, sabedoria, lições de vida, entretenimento, auxílio e conhecimento nos mesmos.



Sejam todos bem-vindos!!! Beijos.