sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DE AMOR E AMIZADE crônicas para jovens (Clarice Lispector)

Em uma das minhas visitas ao site da Livraria Saraiva, me deparei com o livro “De amor e amizade” crônicas para jovens de Clarice Lispector. Estas crônicas foram escritas no período em que a autora colaborou com o Jornal do Brasil, entre agosto de 1967 e dezembro de 1974. O livro me chamou atenção por dois motivos: 1º Por ter sido escrito por uma autora com quem me identifico muito, principalmente por seus textos marcados por suas inquietações diante da vida. Inclusive, na crônica inicial deste livro, “amor imorredouro”, a autora descreve exatamente o temor que senti ao ter a ideia de criar um blog “escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro a gente se expõe muito.”; 2º Pelo título do livro: De amor e amizade, dois tipos de relação tão presentes no nosso dia a dia. Não resisti, comprei!
Com a chegada do livro, iniciei a leitura, não pela sequência das páginas, mas a partir dos títulos que mais me chamavam atenção, entre as 44 crônicas que compõem o livro. As primeiras escolhidas foram: Ao que leva o amor, Por não estarem distraídos, Desencontro, Sem aviso, Uma história de tanto amor, Nossa truculência, Tanto esforço, Saudade.
O livro de Clarice, apesar de ser intitulado “crônicas para jovens”, o que pode nos levar a acreditar que é composto por crônicas leves, apresenta textos bastante profundos, envolvendo a temática das relações de amor e amizade, que às vezes chegam a doer no nosso coraçãozinho...rssss
Deixarei aqui no blog algumas citações das crônicas que mais gostei.





AMOR IMORREDOURO
“...mas escrever é um pouco vender a alma. É verdade. Mesmo quando não é por dinheiro, a gente se expõe muito.”p.15
DESENCONTRO
“Eu te dou pão e preferes ouro. Eu te dou ouro mas tua fome legítima é de pão.” p.51
SEM AVISO
“E quando nos álbuns de adolescentes eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que saber sozinha. Também não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou no perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso – já atordoada eu sentia – isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta.”p.68
UMA HISTÓRIA DE TANTO AMOR
“A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas...”p.70
AMOR
“nunca foi fácil ser julgado pela fila humana que exige mais e mais...”p.79
“Mas você esmaga uma rosa se apertá-la com carinho demais.”p.79
O GRITO
“Amar nunca impediu que por dentro eu chorasse lágrimas de sangue.”p.107
“O mundo falhou para mim, eu falhei para o mundo. Portanto, não quero mais amar.”p.107
“Voltando ao meu cansaço, estou cansada de tanta gente me achar simpática. Quero os que me acham antipática porque com esses eu tenho afinidade: tenho profunda antipatia por mim.”p.107
“Há um limite de ser. Já cheguei a esse limite.”p.107
DIES IRAE
“Nada do que eu já fiz me agrada. E o que fiz com amor estraçalhou-se.”p.124

Nenhum comentário: